Nas últimas décadas, verificou-se um extraordinário crescimento dos estudos e pesquisas em Etnobiologia e Etnoecologia na América Latina e no mundo. Cada vez mais se evidencia a importância destas disciplinas e de estudos correlatos para a geração de novos modelos de desenvolvimento sócio- econômico-ambiental. Seguindo essa tendência, foi fundada a Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia - SBEE.
A SBEE foi criada em julho de 1996, durante o I Simpósio de Etnobiologia e Etnoecologia, em Feira de Santana, Bahia. Na ocasião,os cientistas lá reunidos reafirmaram a importância do cultivo das disciplinas abrangidas no campo de interesse da SBEE, para que o Brasil adote modelos de desenvolvimento fundados no respeito tanto aos povos quanto ao meio ambiente.
A SBEE organiza simpósios em nível nacional a cada dois anos, sendo que o último ocorreu em Chapada dos Guimarães (MT), em 2004. Um fato histórico que contribuiu fortemente para a criação desta Sociedade foi o primeiro Congresso Internacional de Etnobiologia, que houve em Belém (PA), em 1988. Naquela ocasião, foi criada a International Society of Ethnobiology, e elaborou-se a Carta de Belém, documento que orienta a atuação profissional dos etnobiólogos e etnoecólogos.
Conforme consta em seu estatuto, a SBEE tem as seguintes finalidades:
(a) congregar todas as pessoas interessadas no desenvolvimento dos estudos etnobiológicos e etnoecológicos;
(b) incrementar a formação e o reconhecimento dos etnobiólogos e etnoecólogos, como elementos indispensáveis no inventário e estudo do patrimônio natural brasileiro;
(c) representar a comunidade de etnobiólogos e etnoecólogos brasileiros em âmbito nacional e internacional;
(d) promover e realizar encontros e congressos regionais, nacionais e/ou internacionais;
(e) assessorar e aconselhar Entidades oficiais ou particulares no que concerne ao desenvolvimento de estudos etnobiológicos e etnoecológicos e em suas diversas áreas correlatas e/ou especialidades.
O saber (plural) etnobiológico e etnoecológico é uma riqueza nacional desconhecida e por isso desprezada pelos planejadores de políticas de desenvolvimento. |